segunda-feira, 26 de maio de 2025

Em tema de crédito ao consumo: “só se empresta um cabrito a quem tem um boi…”


Até 1991, em Portugal, a banca ainda se regia por essa máxima, tirada da sabedoria dos africanos. E que se ouvia recorrentemente na Angola dos nossos sonhos, nos idos de 50, 60 do século passado.

Com a euforia da expansão do crédito até à bolha em 2007/2008, passou-se a emprestar um boi a quem nem sequer um cabrito tinha para garantia…

Aliás, o presidente ao tempo, da instituição que congrega as instituições de crédito, em Portugal, afirmava despudoradamente, como que “sacudindo a água do capote” e de modo desresponsabilizante, que:

“A responsabilidade pelo excessivo endividamento cabe aos próprios consumidores… que não sabem governar as suas pessoas e bens, em suma, que não sabem reger a sua vida!”

A Comissão Europeia, conhecedora dos meandros e das maquinações das entidades bancárias (não ignorando o recurso da banca à publicidade fraudulenta, às estratégias para consecução de crédito a qualquer custo para se atingirem metas) obtemperava, porém:

“Num mercado de crédito em expansão, é especialmente importante que os mutuantes não concedam empréstimos de modo irresponsável ou não concedam crédito sem uma prévia verificação da solvabilidade e que os Estados-Membros efectuem a supervisão necessária para evitar tal comportamento e determinem as sanções necessárias para punir os mutuantes que adoptem um tal comportamento.

… os mutuantes deverão ser responsáveis por verificar, individualmente, a solvabilidade do consumidor.”

E concluía:

      Os Estados-Membros deverão tomar as medidas adequadas para incentivar práticas responsáveis em todas as fases da relação de crédito, tendo em conta as especificidades do seu mercado de crédito.

       Tais medidas podem incluir, por exemplo, a informação e a educação dos consumidores, designadamente advertências quanto aos riscos que advêm da falta de pagamento e do sobre-endividamento.”

Com a Nova Directiva do Crédito ao Consumo de 2023, aliás, na esteira da anterior (2008), há equilíbrios que tendem a reforçar-se mediante determinadas cautelas.

Precauções a tomar de banda do financiador:

. Capacidade e competência dos seus quadros

. Estratégias mercadológicas desleais descartadas

. Comunicação comercial (publicidade cruzada com informação normalizada em reforço da autenticidade da mensagem)

. Preliminares negociais à exaustão

i. publicidade lícita, identificável, veraz e conforme aos direitos do consumidor (em que se inclui forçosamente informação de valia a que a lei obriga)

                ii. condições gerais escorreitas e lícitas

                iii. informações gerais explícitas

                iv. Informações pré-contratuais claras e concisas

v. Avaliação da solvabilidade do aspirante à concessão de crédito

vi. Proibição de discriminação no acesso ao crédito

vii. Proibição da presunção de consentimento

viii. Proibição expressa do crédito não solicitado

ix.  Escrupulosa observância de regras de conduta pelos quadros da entidade financiadora ou seus intermediários

x. Explicações dos termos e condições do contrato e acesso a serviços de consultoria para cabal esclarecimento das obrigações a que se vincule o consumidor.

Ora, as preocupações com uma informação séria, rigorosa, objetiva, adequada, descodificada, clara e compreensível, como diz a lei europeia, suscitam apreensões, que nos permitimos exprimir da forma que segue:

Uma sorte de “overdose”?

Excesso de informação não equivalerá a informação nenhuma?

Irrealismo do legislador no afã de “a tudo topar”?

Uma clara manifestação de que “from the law in books to the law in action” , a saber, ‘da lei nos livros à lei em acção’ pode distar um abismo…?

Ou um convite aos financiadores a que não cumpram a lei (ancorados no “summum jus summa injuria”, vale dizer, “o excesso de justiça redunda inapelavelmente em injustiça”)?

Com efeito, há que prevenir os espíritos: de tanto se ir em busca de lã, pode sair-se tosquiado.

Os consumidores carecem de protecção mesmo contra a sua ligeireza, a sua leviandade. E os financiadores de ser responsabilizados pela vilania que cometem ao transformarem a vida das pessoas simples e desmunidas de meios em autêntico inferno com o crédito selvagem, irresponsável com que lhes acenam e em que as enredam…

 

Mário Frota

presidente emérito da apDC – DIREITO DO COINSUMO - Portugal

Acha que está a pagar muito de luz? Pode estar a pagar por serviços que não usa. Confirme se não há detalhes a escapar-lhe no seu contrato

 

Na hora de escolher um contrato de electricidade ou gás natural, o preço por kWh continua a ser o factor mais analisado. No entanto, há um detalhe que pode estar a escapar a muitos consumidores: os serviços adicionais incluídos na factura. De assistência técnica a seguros para electrodomésticos, há extras que podem representar valor acrescentado — ou simplesmente um custo desnecessário. O Comparaja reuniu informação sobre o tema.

 Segundo a análise do ComparaJá, muitos portugueses pagam por serviços que não conhecem ou não usam, porque estes aparecem na fatura com designações pouco claras. E embora sejam legais, devem sempre ser opcionais e comunicados de forma transparente, como estabelece o Decreto-Lei n.º 102/2017.

«É cada vez mais comum vermos contratos com serviços como apoio técnico 24 horas ou seguros integrados, muitas vezes sem que o consumidor tenha plena noção do que contratou. A conveniência pode justificar o custo, mas é essencial saber exatamente o que está — ou não — a pagar», explica André Nunes, especialista em energia no ComparaJá. Ler mais

Dinheiro debaixo do colchão? O apagão de abril reacende um velho debate

 

No final de abril de 2025, um apagão generalizado deixou grande parte de Portugal e Espanha sem eletricidade durante várias horas. As consequências foram imediatas e reveladoras: lojas sem sistemas de pagamento, terminais multibanco inoperacionais e milhares de pessoas sem forma de fazer compras básicas ou levantar dinheiro. A dependência quase total do sistema digital [...]

No final de abril de 2025, um apagão generalizado deixou grande parte de Portugal e Espanha sem eletricidade durante várias horas. As consequências foram imediatas e reveladoras: lojas sem sistemas de pagamento, terminais multibanco inoperacionais e milhares de pessoas sem forma de fazer compras básicas ou levantar dinheiro.

A dependência quase total do sistema digital — desde pagamentos com cartão a transferências bancárias — ficou, de repente, exposta. Muitas pessoas foram apanhadas desprevenidas, sem dinheiro físico em casa e sem forma de o obter. Este episódio trouxe de volta uma velha questão: faz sentido, hoje em dia, ter dinheiro guardado em casa? Ler mais

 

Portugal registou terceira maior subida nos preços das casas na União Europeia

 

Os preços das casas na União Europeia (UE) voltaram a crescer no ano passado depois de uma queda em 2023 e Portugal registou a terceira maior subida entre os Estados-membros no último trimestre de 2024.

 Nas previsões económicas de primavera, a Comissão Europeia destaca a tendência de aumento de preços no imobiliário, salientando que «após caírem no segundo e terceiro trimestres de 2023, os preços dos imóveis voltaram a subir em 2024».

«A recuperação dos preços foi acompanhada por uma recuperação nas transações, para um nível comparável ao registado nos anos pré-pandemia», salienta Bruxelas, acrescentando que no quarto trimestre de 2024, os preços nominais das casas na UE estavam 4,9% mais altos do que no ano anterior, superando o pico de meados de 2022.

Já em termos reais, o aumento dos preços foi mais modesto, mas ainda assim fixou-se em 2,1% ao longo do ano. Ler mais

Gotas contadas. Sem luz só há água durante poucas horas

Em caso de apagão prolongado, a maioria das autarquias só têm reservas de água para poucas horas – e muitas dependem da capacidade dos geradores para manter o abastecimento. Especialistas dizem que a falha que atingiu a península Ibérica mostra que a resiliência do sistema de abastecimento precisa de ser reforçada.

Se existir outro apagão, muitos municípios em Portugal poderão deixar de ter água em quatro, seis ou 12 horas. Apenas algumas autarquias têm reservas suficientes para manter o fornecimento de água durante um máximo de três dias.

Esta é uma das principais conclusões de uma consulta feita pelo Nascer do SOL junto de dezenas de municípios do país ao longo das últimas duas semanas, desde que o apagão na Península Ibérica revelou a existência de inúmeras fragilidades não só ao nível das redes elétrica e de comunicações mas também no que respeita à segurança do abastecimento de água. Durante o apagão, várias localidades ficaram sem água uma vez que o abastecimento depende de energia elétrica para a produção, tratamento e distribuição. Ler mais

Esta operadora não dá descanso e responde à Digi com preços muito competitivos

 

Se a Digi continua com os preços mais baixos do mercado, as restantes low cost continuam a fazer pela vida e a Woo voltou a baixar os seus preços!

A Woo continua a apostar forte na sua estratégia de preços competitivos e volta a surpreender com uma nova campanha que promete agitar o mercado das telecomunicações. Até 31 de maio, quem aderir ao pacote Móvel + Net Fibra paga apenas 20 euros/mês. A fidelização é de apenas três meses.

Esta oferta inclui 100GB de dados móveis, 2500 minutos/SMS e internet fixa até 1 Gbps, uma proposta bastante robusta para quem procura uma solução completa a um preço acessível.

A descida de preços da Woo não passa despercebida à concorrência — especialmente à Digi, que tem dominado o segmento low-cost com pacotes agressivos. Ainda assim, a Digi mantém o título do pacote mais barato do mercado, com a oferta de Fibra + Móvel por apenas 15€/mês. Uma diferença significativa para quem procura poupar ao máximo, embora com menos dados móveis e menor velocidade na internet fixa, dependendo da zona de cobertura. Ler mais

Consumo de biocombustível em dobro do que se produz indicia fraude

 

Lisboa, 25 mai 2025 (Lusa) -- A Europa está a consumir como biocombustível resíduos de óleo de palma em quantidade que se estima ser mais do dobro da capacidade mundial de produção, o que indicia fraude que pode esconder desflorestação, foi hoje divulgado.

A denúncia é feita num relatório da Federação Europeia dos Transportes e Ambiente (T&E), uma organização que defende transportes sem emissões e acessíveis e da qual a associação ambientalista portuguesa Zero faz parte.

Num comunicado sobre o relatório, a Zero destaca que o documento lança um alerta urgente sobre o uso crescente, e potencialmente fraudulento, de resíduos da indústria do óleo de palma (Palm Oil Mil Effluents -- POME), nos biocombustíveis usados na Europa. Ler mais

 

Lei n.º 52/2026, de 19 de agosto

Informação da publicação Publicação: Diário da República n.º 160/2026, Série I de 2026-08-19 Data de Publicação: SUMÁRIO Estende o direito a...