quarta-feira, 28 de outubro de 2026

PAGAR PRIMEIRO, RECLAMAR DEPOIS, NÃO SERÁ PÔR A CARROÇA À FRENTE DOS BOIS?


Uma empresa municipal de distribuição predial de águas terá apresentado a um consumidor uma factura escaldante, muito acima dos valores habitualmente pagos.

O consumidor reclamou naturalmente porque os montantes inscritos na factura se achavam muito, mas muito acima da bitola.

Ainda assim, a empresa exigiu do consumidor que pagasse porque uma das cláusulas do contrato por ele firmado impõe-no.

Ademais, diz-se, esse é o princípio-regra que vigora sempre que se trate de “serviços públicos”.

Invoca-se o princípio derivado do direito medievo “solve et repete” (pague primeiro, reclame depois).

Ante a rejeição pelo consumidor de um tal ditame, o argumento apresentado foi o que que isso é princípio inarredável sempre que se trata de um serviço público, seja ele qual for.

Só que tal montante não corresponde ao consumo regular, que não se terá alterado e, por conseguinte, em causa a ofensa do princípio da protecção dos interesses económicos dos consumidores, constitucionalmente consagrado.

É muito estranho que quem opere nos serviços públicos essenciais ignore o que decorre do ordenamento jurídico dos consumidores em cujo interesse se desenvolve a actividade exercida.

    Com efeito, para os serviços públicos em geral vigora a máxima “pague primeiro, reclame depois!).

Porém, para os serviços públicos essenciais (água, energia eléctrica, gás natural, comunicações electrónicas…), cujos contratos têm a peculiaridade de se acharem abrangidos pelas relações jurídicas de consumo, subordinadas ao direito privado, cada um dos contraentes tem o direito de recusar a prestação enquanto o outro não cumprir devidamente as obrigações a seu cargo (Lei 24/96: n.º 2 do art.º 2.º; Código Civil: art.º 428).

Se o fornecedor se propuser cobrar a mais, se não especificar o montante exigido, se não apresentar a factura de harmonia com a lei, é lícito ao consumidor não pagar, reclamando no livro respectivo.

As empresas concessionárias – e os serviços municipais, as mais das vezes - vêm, porém, com o ‘beneplácito’ dos reguladores, impondo nos contratos, à revelia de princípios e normas, que se pague primeiro, reclamando-se depois, o que é inqualificável.

Uma tal cláusula é naturalmente abusiva: está incursa nas proibições da Lei das Condições Gerais dos Contratos; e, por isso, deve ser excluída ou por imposição dos próprios reguladores (!) ou por reacção dos consumidores.

Se houver resistência dos fornecedores, é, em primeiro lugar, de lavrar o consequente protesto no Livro de Reclamações (em suporte papel ou electrónico); depois, de recorrer aos tribunais de consumo da área da residência ou ao tribunal nacional, não o havendo, aos quais os serviços públicos essenciais e os mais, hoje, se não podem furtar, se a utilidade económica do pedido se comportar nos 5 000 €, competência em razão do valor que se lhes assinou. Pedindo-se, logo e como medida cautelar, que o fornecedor não use o “corte” como meio de coagir a pagar e definindo-se os termos do que deve pagar, se for o caso.

Ademais, a Lei dos Serviços Públicos Essenciais confere aos consumidores o direito à quitação parcial: o de só pagar o devido, recusando o mais. E o fornecedor tem de dar quitação do que se pagar (passar o documento que prova o pagamento ou recebimento):


 

“Não pode ser recusado o pagamento de um serviço público, ainda que facturado juntamente com outros, tendo o [consumidor] direito a que lhe seja dada quitação daquele…”

Claro que, para o efeito, o consumidor terá de ter os dados do consumo efectivo, o que nem sempre é possível, dada a dilação entre o fecho do registo do consumo do mês e a data da recepção da factura.

A facturação por estimativa, que é inconstitucional, como se viu no artigo da semana passada, pode constituir um quebra-cabeça para os consumidores quando os dados se desprendem do histórico e as facturas aparecem infladas como um balão, a pesar desmesuradamente no bolso de quem quer…

De qualquer forma há que reagir, reclamando, reclamando, reclamando…

 

 Mário Frota

Presidente emérito da apDC – Direito do Consumo, Portugal

Reformados da CGA vão receber menos já na próxima pensão: cortes de 93 euros, em média, e contas para acertar

 

Apesar da contestação dos pensionistas, a Caixa Geral de Aposentações já começou a comunicar os novos valores das reformas. Os cortes poderão chegar à próxima pensão, enquanto continuam por esclarecer os montantes que terão de ser devolvidos.

A Caixa Geral de Aposentações (CGA) está a avançar com a redução de pensões já atribuídas, apesar das reclamações apresentadas pelos reformados durante a fase de audiência prévia. A instituição começou a enviar notificações com os novos valores das reformas, numa decisão que poderá afetar quase três mil pensionistas e que deverá ter efeitos já no próximo pagamento. Ler mais 

Utentes pedem licença obrigatória nos fármacos da obesidade

 

A Associação de Utentes defende que o SNS e o interesse público justificam licenças obrigatórias para os medicamentos da obesidade — e lembra que um genérico reduziu 14 vezes os custos na diabetes.

A UMG-Associação de Utentes de Medicamentos Genéricos defende que a comparticipação de 15% nos fármacos da obesidade não acaba com as barreiras ao tratamento e, para reduzir custos, pede ao Governo que avalie a hipótese de licenças obrigatórias.

A emissão de licenças obrigatórias — a chamada “quebra de patente” — é uma autorização legal de exceção que o Governo pode conceder para permitir a terceiros fabricar ou comercializar um medicamento patenteado sem o consentimento do titular da patente. O objetivo é salvaguardar o acesso à saúde e o interesse público. Ler mais

Diário de 28-10-2026



Diário da República n.º 209/2026, de 28 de outubro de 2026

Recomenda ao Governo a criação de um observatório da Lagoa de Óbidos.

Emitente:

Programa «Parlamento Sénior».

Emitente:

Imprensa Escrita - 28-10-2026





 

terça-feira, 27 de outubro de 2026

Roubaram-lhe ou perdeu a carta? O que deve fazer e como pedir uma nova

Perder a carta de condução é uma situação inconveniente, já que é um documento essencial para quem precisa de conduzir. E o mesmo é verdade em caso de roubos. Mas pedir uma segunda via é um processo simples.

Se lhe roubarem a carta de condução ou a perder, fica sem um documento indispensável para o exercício da condução - o que é um transtorno significativo para quem conduz com uma certa frequência.

Mas, hoje em dia, pode pedir a segunda via sem sair de casa. O Instituto da Mobilidade e dos Transportes (IMT) informa no seu site que, através do IMT Online, o pedido pode ser feito a partir de casa (ou de outro local em que esteja), sendo a nova carta enviada por correio para a morada indicada desde que seja em território nacional. E tem um desconto de dez por cento no pedido. O prazo é de oito dias úteis. Ler mais

Pedido para votar em criança? GNR alerta para fraude: "Pare, confirme"

 
A GNR alertou os internautas para uma nova fraude por mensagens de WhatsApp que usa crianças para atrair vítimas. Os burlões pedem votos em crianças, explorando a empatia dos utilizadores. A instituição recomenda que os cidadãos parem e confirmem antes de agir.

A Guarda Nacional Republicana (GNR) alertou os seguidores das redes sociais para as fraudes que usam crianças para atrair vítimas.

"Se está uma criança em causa, a vontade de ajudar é maior", começam por lembrar os militares, na página de Facebook da GNR, falando da mais recente burla que circula no WhatsApp. Ler mais

 

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