quarta-feira, 4 de novembro de 2026

Se substituiu está substituído e não se fala mais disso: mas a garantia renasce e o uso precedente não se paga…

 


A substituição é, de par com outros, um dos remédios de que, no âmbito da garantia legal dos bens, o consumidor pode lançar mão para bem exercer o seu direito e ver reposta a conformidade com o contrato.

E situa-se até no patamar primeiro, em paralelo com a reparação.

Em caso de substituição do bem, há algum valor devido pelo bem substituído, pelo uso que o consumidor lhe tiver dado?

Ou seja, o período durante o qual o consumidor fruiu do bem, o valor que daí resulta, terá de ser compensado ao fornecedor ou produtor, se acaso o consumidor se voltar, no quadro da acção directa, contra o produtor que não contra o fornecedor com quem directamente contratou?

Os tribunais, ao que parece, decidiam invariavelmente nesse sentido, no caso paralelo da extinção do contrato, a menos que uso nenhum se houvesse dado à coisa.

O que, ainda assim, poderia não parecer correcto, dado que os vícios de que padecia a coisa não serem imputáveis ao consumidor.

Como exemplo paradigmático, o de um acórdão do Supremo Tribunal de Justiça, lavrado pelo Conselheiro João Camilo, a 05 de Maio de 2015, do teor  seguinte:

 “III - Apurando-se que o veículo vendido, apesar dos defeitos não eliminados, continuou a circular sem limitações na respectiva capacidade de circulação e sem afectar a segurança dos passageiros, percorrendo, em três anos e meio, 59 mil quilómetros, a devolução do valor do veículo a efectuar pelo devedor, em consequência da resolução e como correspectivo da devolução do carro, deve limitar-se ao valor deste, na data do trânsito em julgado.”

Claro que, nestas condições, não é de substituição que se trata, mas de resolução [extinção] do contrato como remédio adoptado.

Mas, de qualquer forma, poderia ser levado o mesmo raciocínio à situação equivalente da substituição. E não é o caso!

Mesmo no caso dos automóveis a coisa não pode ser tomada à letra porque, não se ignore que, quando o veículo desce a rampa do estabelecimento em direcção à via pública desvaloriza logo 30 ou 40%...

Ora, o bem substituído teria nestas condições um valor venal baixíssimo, se fosse o caso, o que deixaria o consumidor em palpos de aranha, como que lhe competindo custear o bem de substituição quase na íntegra por dele haver colhido o uso durante um certo período de tempo.

Com os automóveis isso é patente!

O que a Lei da Compra e Venda dos Bens de Consumo, em vigor desde o 1.º de Janeiro de 2022, estabelece a este propósito é que

“Havendo substituição do bem, o fornecedor é responsável por qualquer não conformidade que ocorra no lapso de 3 anos” [começa a correr uma nova garantia inerente ao bem de substituição]

“Em caso de substituição do bem, não pode ser cobrado ao consumidor qualquer custo inerente à normal utilização do bem substituído.”

Trata-se, com efeito, de uma aclaração de saudar. Que cumpre, a todos os títulos, registar, dando dela pública nota para que o seu desconhecimento não tenha reflexos negativos no estatuto do consumidor.

 

Mário Frota

Presidente emérito da apDC – DIREITO DO CONSUMO -, Portugal

CONTRATOS DE CRÉDITO AO CONSUMIDOR (I)

  P


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: obrigatoriamente com informação padronizada, a saber,

 

i.              A taxa nominal, fixa ou variável ou ambas, juntamente com a indicação de quaisquer encargos aplicáveis incluídos no custo total do crédito para o consumidor;

ii.            O montante total do crédito;

iii.           A TAEG;

iv.           A duração do contrato de crédito, se for o caso;

v.            O preço a pronto e o montante do eventual sinal, no caso de crédito sob a forma de pagamento diferido de bem ou de serviço específico; e f

vi.           O montante total imputado ao consumidor e o montante das prestações, se for o caso.

2.    Informações pré-contratuais: antes da celebração do contrato o dador de crédito tem de munir o consumidor de um sem-número de informações, rigorosamente estabelecidas na lei, para que o seu consentimento seja livre, esclarecido e ponderado

 3.    Avaliação da solvabilidade do consumidor: por forma a ajuizar da pertinência da concessão do crédito (não se empresta um boi a quem só dê de garantia um cabrito…) tem de se desenrolar um processo tendente a avaliar se o candidato ao crédito dispõe de meios regulares para honrar o compromisso assumido (com o acesso aos dados disponíveis, nomeadamente em bases de dados)

 4.    O contrato propriamente dito: requisitos de forma

 i.              Os contratos de crédito devem ser exarados em papel ou noutro suporte duradouro, em condições de inteira legibilidade.

ii.            Todos os contraentes, incluindo os garantes, devem receber um exemplar do contrato de crédito, sendo que, no caso de contratos de crédito celebrados presencialmente, o exemplar deve ser entregue no momento da assinatura do contrato de crédito.

iii.           As cláusulas do contrato devem obedecer escrupulosamente aos requisitos constantes da lei como salvaguarda da posição do consumidor.

5.    TAEG máximas (Taxas anuais de encargos efectivos gerais: custo total do crédito) - IV Trimestre de 2026

Tipo de contrato de crédito       

i.             Crédito Pessoal (Educação, Saúde, Transição energética e Locação financeira de equipamentos) -          8,2%                                                                                                               

ii.            Outros Créditos Pessoais (lar, obras, consolidado e outras finalidades) -                                           15,0%

iii.          Crédito Automóvel

(Locação Financeira ou ALD: novos) -        5,4%                                               Locação Financeira ou ALD: usados -        6,7%                                                                                     

Automóveis e outros veículos: novos -      11,2%                                                                                Automóveis e outros veículos: usados -    14,3%                                                                                  

iv.                Cartões de crédito, Linhas de crédito, Contas correntes bancárias e Facilidades de descoberto  - 18,5%                                                                                                                            

Comercializadores de Energia querem reforçar transparência no financiamento da tarifa social de eletricidade

 ACEMEL propõe três alterações ao OE 2027, incluindo a afetação de receitas públicas existentes, para reduzir os encargos dos comercializadores situados nos 65%.

A ACEMEL – Associação dos Comercializadores de Energia no Mercado Liberalizado considera que o financiamento da tarifa social de eletricidade deve ter fontes e regras “mais claras”, que preservem o apoio aos consumidores economicamente vulneráveis.

Nesse sentido, propõe três alterações ao OE 2027 que, na sua perspetiva, poderão reforçar a transparência no financiamento da tarifa social de eletricidade. Assim, propõe utilizar receitas públicas existentes para financiar uma medida com custo previsional de 136,8 milhões de euros em 2026, dos quais cerca de 65% são suportados pelos comercializadores. Ler mais

nião Europeia: grupos de cancro temem aperto de financiamento no próximo orçamento

 

Enquanto países da União Europeia negociam verbas do próximo orçamento plurianual, organizações oncológicas temem cortes em projetos de investigação, cuidados personalizados e apoio a doentes, enfraquecendo o tratamento do cancro na Europa

Próximo orçamento de longo prazo da União Europeia, que abrange o período 2028-2034, vai determinar como o bloco distribui o financiamento pelas suas prioridades políticas, incluindo a saúde.

Nos termos da proposta da Comissão Europeia, o financiamento para a saúde passaria a partilhar um envelope comum com a biotecnologia, a agricultura e a bioeconomia, todos integrados num Fundo Europeu de Competitividade mais alargado. Os países da UE adotaram uma posição parcial de negociação sobre o fundo proposto, embora a sua estrutura final e a afetação específica das verbas continuem em negociação. Ler mais

Adeus, horas perdidas! A nova arma secreta da Netflix vai finalmente escolher por si

 

Passar mais tempo a navegar pelos menus da Netflix do que a ver efetivamente um filme ou série tornou-se num ritual frustrante para milhões de utilizadores. A plataforma de streaming decidiu atacar este problema de frente ao lançar o AI Discover, um novo espaço experimental desenhado para transformar a forma como descobrimos conteúdos no televisor.

nteligência artificial em tempo real focada no teu humor

Esqueça as buscas tradicionais baseadas apenas no histórico estático de visualização. Esta nova ferramenta utiliza uma camada de inteligência em tempo real capaz de decifrar o que apetece ver consoante o estado de espírito do momento, o tempo disponível ou até a companhia. Ler mais

 

Subsídio de desemprego: requisitos, como pedir e prazos essenciais

 

O desemprego, desde que cumpram um conjunto de condições estabelecidas pela Segurança Social e apresentem o pedido dentro do prazo legal.

Quem fica desempregado e pretende aceder ao subsídio de desemprego deve cumprir um conjunto de requisitos legais e respeitar os prazos definidos. Entre as condições estão a inscrição no IEFP, a disponibilidade para trabalhar e a apresentação do pedido nos 90 dias seguintes ao fim do contrato.

Para ter direito à prestação, o desemprego tem de ser involuntário, ou seja, resultar de uma situação não provocada pelo trabalhador. Além disso, o beneficiário deve ter exercido actividade por conta de outrem, estar inscrito como desempregado no Instituto do Emprego e Formação Profissional (IEFP), ter capacidade e disponibilidade para trabalhar e residir em Portugal. Ler mais 

Diário de 4-11-2026


Diário da República n.º 214/2026, de 4 de novembro de 2026

Altera o Decreto-Lei n.º 126/2017, de 4 de outubro, que aprova o Sistema Braille em Portugal.

Emitente:

No uso da autorização legislativa concedida pela Lei n.º 64-B/2026, de 22 de outubro, altera o Código do Imposto sobre o Rendimento das Pessoas Singulares, reduzindo as taxas gerais aplicáveis aos primeiros seis escalões de rendimento coletável.

Emitente:

Designa o presidente e um vogal do conselho diretivo da Agência para a Integração, Migrações e Asilo, I. P.

Emitente:

Designa o conselho diretivo do Instituto de Educação, Qualidade e Avaliação, I. P.

Emitente:

Torna pública a aprovação do Acordo entre a República Portuguesa e a Mongólia sobre Supressão de Vistos para Titulares de Passaportes Diplomáticos, Oficiais ou Especiais.

Emitente:

Procede à primeira alteração à Portaria n.º 433/2026/1, de 21 de setembro, que cria a «Linha de Tesouraria ― Setor Vinícola II».

Emitente:

Aprova a delimitação dos perímetros de proteção das captações designadas por «Algodor/ AR3 ― Furo», «Alcaria Ruiva ― Furo 1» e «Penilhos/ SJC6 ― Furo», localizadas no concelho de Mértola.

Emitente:

Aprova a lista de substâncias e métodos proibidos a partir de 1 de janeiro de 2027.

Emitente:

Se substituiu está substituído e não se fala mais disso: mas a garantia renasce e o uso precedente não se paga…

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