quarta-feira, 9 de outubro de 2024

Eu, Etiqueta Carlos Drumond de Andrade

 


Em minha calça está grudado um nome
que não é meu de batismo ou de cartório,
um nome... estranho.
Meu blusão traz lembrete de bebida
que jamais pus na boca, nesta vida.
Em minha camiseta, a marca de cigarro
que não fumo, até hoje não fumei.
Minhas meias falam de produto
que nunca experimentei,
mas são comunicados a meus pés.
Meu tênis é proclama colorido
de alguma coisa não provada
por este provador de longa idade.
Meu lenço, meu relógio, meu chaveiro,
minha gravata e cinto e escova e pente,
meu copo, minha xícara,
minha toalha de banho e sabonete,
meu isso, meu aquilo,
desde a cabeça ao bico dos sapatos,
são mensagens,
letras falantes,
gritos visuais,
ordens de uso, abuso, reincidência,
costume, hábito, premência,
indispensabilidade,
e fazem de mim homem-anúncio itinerante,
escravo da matéria anunciada.
Estou, estou na moda.
É doce estar na moda,
ainda que a moda
seja negar minha identidade,
trocá-la por mil, açambarcando
todas as marcas registradas,
todos os logotipos do mercado.
Com que inocência demito-me de ser
eu que antes era e me sabia
tão diverso de outros, tão mim mesmo,
ser pensante, sentinte e solidário
com outros seres diversos e conscientes
de sua humana, invencível condição.
Agora sou anúncio,
ora vulgar ora bizarro,
em língua nacional ou em qualquer língua
(qualquer, principalmente).
E nisto me comprazo, tiro glória
de minha anulação.
Não sou — vê lá — anúncio contratado.
Eu é que mimosamente pago
para anunciar, para vender
em bares festas praias pérgulas piscinas,
e bem à vista exibo esta etiqueta
global no corpo que desiste
de ser veste e sandália de uma essência
tão viva, independente,
que moda ou suborno algum a compromete.
Onde terei jogado fora
meu gosto e capacidade de escolher,
minhas idiossincrasias tão pessoais,
tão minhas que no rosto se espelhavam,
e cada gesto, cada olhar,
cada vinco da roupa
resumia uma estética?
Hoje sou costurado, sou tecido,
sou gravado de forma universal,
saio da estamparia, não de casa,
da vitrina me tiram, recolocam,
objeto pulsante mas objeto
que se oferece como signo de outros
objetos estáticos, tarifados.
Por me ostentar assim, tão orgulhoso
de ser não eu, mas artigo industrial,
peço que meu nome retifiquem.
Já não me convém o título de homem.
Meu nome novo é coisa.
Eu sou a coisa, coisamente.

terça-feira, 8 de outubro de 2024

Economia de A a Z


 Com Portugal nos lugares cimeiros nas energias renováveis, importa fazer um balanço e perguntar o que temos ganhado com isso no nosso dia-a-dia… Ouvir

OS CONSUMIDORES ROBÔS DOS HIPERMERCADOS?

 

Nas grandes superfícies já não há, na prática, trabalhadores nas caixas registadoras.

Os clientes são obrigados a ir para o "self-service", passando os bens, um a um, para leitura do código de barras e fazer o pagamento com cartão de débito ou de crédito.

Depois (dizem eles que aleatoriamente) surgem trabalhadores seus que, trazendo uma cópia da factura,  vão junto do consumidor vasculhar os seus sacos à procura de produtos que hajam sido furtados.

Ora, além da impossibilidade do pagamento dos bens em numerário, o consumidor é obrigado, além de pagar, a fazer o trabalho que  lhe não compete,  sendo até natural que se engane, por  não saber fazer a operação, e sem qualquer indício, ver-se auditado nas compras que acabou de fazer e ser considerado como desonesto, quando é pessoa de toda a respeitabilidade e credibilidade.

Como é que os consumidores aceitam sem pestanejar este estado de coisas?

Tem mais vantagens no preço por ser ele a fazer o trabalho de trabalhadores que nem sequer são admitidos pelas empresas porque têm mão-de-obra gratuita?

Em França, nas estações de serviço, o combustível em auto-abastecimento era mais barato do que se o abastecido por um trabalhador da companhia.

 Em Portugal somos uma “cambada” de “atentos, veneradores e obrigados” com a coluna dócil e as vénias até ao chão…

Numerário. Tem os dias contados? Não para breve

 Especialistas admitem ao i que “não se prevê que num prazo médio deixe de haver utilização de numerário” e mesmo que haja mais adesão em relação aos pagamentos eletrónicos há um movimento europeu no sentido de promover maior liberdade de escolha e com isso reforçar o valor do numerário.

O dinheiro físico tem-se tornado cada vez mais invisível. Aos cartões de crédito e aplicações bancárias, que há muito permitem fazer pagamentos virtuais e entraram no dia-a-dia dos portugueses, juntaram-se novas formas de pagamento desenvolvidas por bancos e pelas mais variadas plataformas. Mas isso significa que o numerário vai acabar? Ao i, Vinay Pranjivan, economista da Deco afasta esse cenário. “Não se prevê que a médio prazo deixe de haver utilização de numerário. Obviamente que há cada vez uma maior adesão a usar pagamentos eletrónicos”, diz e acrescenta que há um movimento europeu no sentido de promover maior liberdade de escolha, mas com isso reforçar o valor do numerário. Ler mais

Subsídio de mobilidade nos voos dos Açores para o Continente e Madeira com teto de 600 euros por passagem

 
O Governo da República definiu um limite máximo de 600 euros por passagem no valor elegível para acesso ao subsídio social de mobilidade para os passageiros dos Açores que viajem para o continente português ou para a Região Autónoma da Madeira.

“O valor do subsídio social de mobilidade a atribuir pelo Estado aos passageiros residentes, passageiros residentes equiparados e passageiros estudantes, pelas viagens realizadas entre o continente e a Região Autónoma dos Açores e entre esta e a Região Autónoma da Madeira, sem prejuízo do disposto no n.º 3, tem um custo elegível máximo de 600 euros”, lê-se numa portaria publicada nesta quinta-feira, dia 26 de setembro, em ‘Diário da República’.

O diploma altera a portaria que “define o modo de proceder ao apuramento do valor do subsídio social de mobilidade aos cidadãos beneficiários, no âmbito dos serviços aéreos entre o continente e a Região Autónoma dos Açores e entre esta e a Região Autónoma da Madeira”, publicada em 27 de março de 2015. Ler mais

Cidadãos de fora do espaço Schengen que entrem em Portugal obrigados a recolha de dados biométricos

 Os cidadãos fora do espaço Schengen que queiram entrar em Portugal têm de passar por um controlo dos dados biométricos e pessoais, anunciou o ministro da Presidência, avançando que se trata de “um elemento fundamental” para a fiscalização.

Na conferência de imprensa após o Conselho de Ministro, António Leitão Amaro afirmou que esta medida está inserida numa proposta de lei sobre controlo das fronteiras hoje aprovada pelo Governo e que vai ser enviada para a Assembleia da República.

“Regulamos um novo sistema de controlo de saídas e entradas em território nacional pelas fronteiras externas”, disse o ministro, explicando que os cidadãos que venham de fora do espaço Schengen, para entrarem em Portugal, têm que ser submetidos à recolha dos dados biométricos e dos dados pessoais. Ler mais

 

Ombudsman urges improved transparency on food labelling

 


The EU Ombudsman has urged the Commission to improve the transparency of its legislative documents after it rejected two requests for access relating to the announced review of food labelling rules (front-of-pack nutritional information, origin, date marking and list of ingredients in alcohol). The complainant, the association FoodWatch, had asked the Commission for access to all impact assessments and other documents, which the Commission's executive refused on the grounds that the decision-making process was ongoing.

 Last February, the Ombudsman found another instance of "maladministration" in the handling of lobbying against the front-of-pack nutrition label Nutri-Score, following a complaint by BEUC. "One of the core principles of the EU is its openness in decision-making," BEUC's Emma Calvert told Euractiv, "but the repeated failure to meet these standards on fron-t-ofpack nutrition labelling raises concerns about how decisions are made and influenced."

26 mil medicamentos ilegais apanhados nos aeroportos

  Operação Pangea XVIII levou à apreensão em Portugal de "26.525 unidades de medicamentos ilegais", para disfunção erétil e emag...