segunda-feira, 24 de outubro de 2022

Imprensa Escrita - 24-10-2022






 

Consumo corrente: ‘marcas brancas’ e as preferências que ora concitam


O ”Le Figaro”, de sábado último, editado na Cidade Luz, oferecia aos seus leitores dados com efectiva expressão a propósito  do actual momento em que a carestia atinge os produtos das fileiras do agro-alimentar nos distintos segmentos do mercado de consumo.

E aí se dizia:

“Os consumidores preferem estes rótulos 24% a preços mais moderados do que os das grandes marcas.”

“Marque repère” (Leclerc), “Reflets de France” (Carrefour) e “Pâturages” (Intermarché) são quase tão conhecidos pelos clientes destas marcas como Danone, Lu ou Nestlé.

 Após um período de desinteresse, a popularidade das marcas privadas aumentou acentuadamente. Durante a crise sanitária, os consumidores tinham procurado conforto e tranquilidade junto das suas marcas nacionais favoritas. Nutella, Président e Caprices des Dieux... raramente se tinham saído tão bem.

Mas as prioridades dos consumidores mudaram. Com o aumento dos preços nos supermercados, o preço tornou-se mais uma vez o principal critério de compra. No entanto, as marcas privadas são 24% mais baratas do que a média dos produtos vendidos nos supermercados.”

O facto é que é surpreendente o que ocorre com os preços dos produtos do cabaz elementar e os inesperados lucros das empresas da grande distribuição alimentar, os tais “lucros caídos dos céus”, que os governos e, em particular, o que remanesce entre nós, relutam em “taxar”.

Relutam em taxar e, perante os efeitos da beligerância ocorrente que tudo condiciona, mostram-se indiferentes e relapsos no que tange à limitação das margens de lucro num cabaz alimentar que importaria se aferisse em função das necessidades básicas de cada um e todos e de uma dieta nacional desenhada em função de critérios de base científica que fácil seria decerto descortinar e definir…

Se a tão decantada “responsabilidade social” tivesse conteúdo, decerto que as insígnias de renome (que partilham quase que de modo concertado, entre si, o mercado) não apresentariam preços tão especulativos que não escolhem o universo alvo a que se dirigem: paga por uma lata de atum tanto o pobre como o rico. E o atum, para além dos lucros que proporciona e da reduflação que eventualmente tende a  envolvê-lo, encarece mais ainda porque em razão dos desvios a que se expõe, por ser produto popular que pode ser confeccionado de mil maneiras,  tem de vir com um alarme anti-furto para que a mole imensa dos que à míngua de meios intentam dessa forma iludir a fome sejam barrados à saída das caixas para que apresentem contas à Justiça…

Ao menos, se os detivessem por longo tempo, poderiam as vítimas da fome comer, nesse ínterim, à conta das sopas do presídio, mas libertam-nos de seguida, a aguardar julgamento, para que a “famina” os devore…

E nem sequer as escusas do Chefe de Estado [à semelhança de um seu predecessor que jurava a pés juntos que os portugueses não são nem corruptos nem tratam por tu a corrupção…] – com o fundamento de que somos todos honestos e bem comportados - colhem porque, afinal, não se “faz mão baixa” a produtos sumptuários, mas a coisas tão elementares como a uma carcaça ou uma lata de atum.

Aliás, até talvez tenha razão o primeiro magistrado da nação. Se quem tem fome se juntasse aos magotes e hordas indefinidas fizessem ‘arrastões’ aos bancos ou aos hipermercados, esvaziando-lhes cofres fortes e gôndolas para depois se locupletarem com os proveitos dos roubos e das vendas, talvez o fenómeno pudesse ser perspectivado de modo diferente…

São tão inábeis os pobres que se limitam, com efeito, a fazer ‘mão baixa’ a coisas insignificantes, mas que exigem, afinal, redobrados cuidados de segurança: não a segurança intrínseca do produto analisada pela sua composição (em momento em que a depreciação qualitativa dos produtos, como o proclama a Comissão Europeia, se acha em voga e urge combater veementemente…), mas a segurança física do produto, não vá alguém subtraí-lo para matar a barriga da fome!

Quantas latas de atum cabem nos tão decantados 125 € de “bónus”, como todos lhes chamam, que  os meios se habituaram a fazer coro com o Governo, que mais não são, repartidos pelos 12 meses do ano, que meros 10,40€ /mês?

Sim, 10,40 €, que os fazedores da imagem do Governo convertem em valor de “encher o olho”, como se fora creditado em conta mês a mês o montante global ora atribuído…

Os cálculos serão, com efeito, simples de fazer:

Uma lata de atum (posta) de 250 gr, peso líquido (tamanho familiar?), custa cerca de 4,70 €; logo, o famigerado “bónus” mensal dá para 2, 2 latas…

Se for de uma das marcas tradicionais, em limão e jindungo, por exemplo, ao preço por unidade de 2,90 €, sempre se leva para casa quase 3 latas e meia… para o consumo do mês!

Se em vez de atum se apontar para o bacalhau (o eterno mito do alimento dos pobres, dadas as mil e uma maneiras de o confeccionar, poupando-o na mistura com outros ingredientes), os 10,40€ já não chegam para um quilo do graúdo (de 12,00 a 13,00 €/ Kg) … antes para o escamudo… que é uma espécie ‘degenerativa’ que espíritos menos despertos e atreitos às sugestões e embustes confundem com a original!

Os poderes tendem a dissimular o clima envolvente, fazendo crer que o mercado funciona normalmente [e não se pode afrontar o sistema de economia de mercado, qual dogma irremovível…] quando os condicionamentos são de monta e se reflectem designadamente nos preços, como a ninguém escapa!

Condicionar as margens no comércio por grosso e no retalho, como se faz em circunstâncias análogas, não é crime contra o mercado em linha concorrência.

Crime é ignorar o momento, as circunstâncias, e remeter os pobres para os furtos envergonhados da carcaça e da lata de atum!

 

Mário Frota

presidente emérito da apDC – DIREITO DO CONSUMO - Portugal

Mário Frota na Faculdade de Psicologia e das Ciências da Educação de Coimbra

O presidente emérito da apDC, Mário Frota, intervém hoje, segunda-feira, 24 de Outubro corrente, no debate sobre a publicidade infanto-juvenil que, sob os auspícios da unidade curricular de estágios, dirigida pela Prof.ª Helena Damião, se leva a cabo na Faculdade de Psicologia e das Ciências da Educação.

Houve um equívoco na marcação da data, que se supunha aprazada para sexta-feira última, mas que, afinal, se achava definida para hoje, segunda-feira. O que deverá ser tido, pois, em devida conta.

A razão determinante da iniciativa é a que decorre da presença de empresas que de forma interessada intervêm na modelação dos módulos de Educação para a Cidadania, algo de aberrante que há que combater veementemente. Aliás, dada a forma como no mercado tais empresas agem, o que é fonte das maiores dúvidas e dos mais fundados receios. Já que não vestirão decerto a pele de cordeiro em ambiente escolar quando a agressividade das suas campanhas de comunicação comercial é patente em todos os círculos.

E de nada vale invocar a responsabilidade social na hipocrisia reinante…

Com efeito, quer o programa de anunciantes (Media Smart) em que se pretendia levar às escolas acções de literacia para a publicidade como estas que decorrem da intervenção das empresas em meio escolar que difundem de forma reflexa  as respectivas marcas e se expõem a apresentar publicidade indirecta, com vantagens próprias e manifestas desvantagens para os destinatários das acções, deveriam merecer cuidados outros ao Ministério da Educação que não pode consentir que autênticos “cavalos de Tróia” penetrem nas escolas quando a lei é expressa em vedar a publicidade em ambiente escolar.

O Estado demite-se do que lhe compete no domínio da educação e formação para o consumo em que tais aspectos se inserem e concede, de forma invasiva, que os protagonistas no mercado se apresentem a substituir-se-lhe, como se se cometesse a “guarda da capoeira à raposa”!

Apetece, com efeito, dizer: haja modos, Senhores, haja modos, e deixem-se de hipocrisias!

Portugal no centro da assistência em viagem

 


O ACP foi o anfitrião do encontro da maior rede de assistência em viagem da Europa, onde a eletrificação esteve em destaque. 

Ainda nos elétricos, há boas notícias para quem carrega na via pública. Estivemos na final do Grande Prémio ACP, o circuito de golfe mais disputado de sempre. 

A fechar, fomos ver um Talbot Lago em ação no Circuito Estoril. Ver mais

XVI Congresso Brasileiro de Direito do Consumidor,


É com imenso prazer que informamos que os editais para concorrer aos prêmios do nosso evento - que ocorrerá nos dias 02 a 04 de novembro - já estão disponíveis!

 

Confira as regras de submissão nos editais CLICANDO AQUI, e fique atento aos prazos.

 

 

Não esqueça de realizar a sua inscrição para o evento.

Diário de 24-10-2022

 


Diário da República n.º 205/2022, Série I de 2022-10-24

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PRESIDÊNCIA DO CONSELHO DE MINISTROS

Prevê novos prazos para a apresentação de pedidos de instalação e exploração de novas centrais de valorização de biomassa e reformula os termos dos respetivos procedimentos de avaliação e decisão

PRESIDÊNCIA DO CONSELHO DE MINISTROS

Procede à alteração à orgânica do Instituto da Habitação e da Reabilitação Urbana, I. P., ao 1.º Direito - Programa de Apoio ao Acesso à Habitação e ao Porta de Entrada - Programa de Apoio ao Alojamento Urgente

PRESIDÊNCIA DO CONSELHO DE MINISTROS

Determina a cessação de vigência de resoluções do Conselho de Ministros publicadas no âmbito da pandemia da doença COVID-19

PRESIDÊNCIA DO CONSELHO DE MINISTROS

Autoriza a assunção de encargos orçamentais decorrentes da aquisição de gás natural, mediante procedimento aquisitivo conduzido pela Entidade de Serviços Partilhados da Administração Pública, I. P.

SAÚDE

Estabelece um regime excecional relativo à disponibilização no mercado nacional de testes rápidos de antigénio (TRAg) destinados, pelos seus fabricantes, a serem realizados em amostras da área nasal anterior interna (fossas nasais) enquanto dispositivo para diagnóstico in vitro de autodiagnóstico

Despesa do SNS dispara graças a medicamento para diabetes tipo 2 usado para perder peso

 

Semaglutido ficou viral nas redes sociais por ajudar a perder peso. Em Portugal só é indicado para diabetes tipo 2, mas entrou em rutura de stock e despesa do SNS disparou.

Elogiado por famosos e publicitado no Tik Tok, há um medicamento comparticipado em Portugal para o tratamento da diabete tipo 2 que está a ser usado para a perda de peso. Problema: a publicidade foi tal que o mercado de abastecimento entrou em rutura e fez disparar a despesa do SNS.

Como conta o Público na notícia que faz manchete esta segunda-feira, o remédio em causa é o semaglutido (nome da substância ativa), comercializado pela farmacêutica dinamarquesa Novo Nordisk. Uma embalagem custa, em Portugal, 120 euros, mas com receita médica fica por 12 euros. Ler mais

Apps de entregas falsas de comida e compras: placebo para viciados e dose de dopamina

  Porque haveria alguém de perder tempo em aplicações ou sites criados para nunca entregar nada? A verdade é que este bizarro comportament...