Há um erro grave — e perigosamente cómodo — a contaminar a própria ideia de prevenção primária da violência sexual contra crianças: a ilusão de que basta ensinar uma canção alegre, um jogo colorido ou uma regra simples para que tudo fique resolvido. Como se prevenir violência sexual fosse tão direto como ensinar a escovar os dentes ou a olhar para os lados antes de atravessar a estrada. Não é. Nunca foi. E insistir nessa lógica é um desfavor sério às crianças e às famílias.
Existe uma tendência persistente para apresentar medidas formulaicas como soluções quase mágicas. Músicas sobre «zonas do corpo», jogos em que as crianças têm de dizer onde podem ou não devem ser tocadas, dinâmicas alegadamente pedagógicas que prometem resultados rápidos e mensuráveis. São apelativas, fáceis de vender e tranquilizam adultos cuidadores. Mas falham no essencial: ignoram a complexidade da violência sexual contra crianças. Ler mais

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