Saiba como financiar empreendedores ou
receber apoio para a sua ideia de negócio.
Tem uma ideia de negócio, mas não tem
financiamento? Gostaria de investir em ideias inovadoras? Em ambas as situações
o crowdfunding pode
ser a solução. Mas, afinal, o que é este tipo de financiamento? E como garantir
que é seguro para todas as partes?
O conceito de crowdfunding torna-se ainda mais simples se explicado com
base no próprio significado da palavra: crowd significa multidão, funding
quer dizer financiamento. Assim, crowdfunding acontece quando um
grupo de pessoas se junta para financiar algo ou quando alguém tem uma ideia e
pede financiamento a várias pessoas.
A ideia até pode remeter para os tempos
da infância e da adolescência, em que vários elementos da família se juntavam
para lhe oferecer um presente mais valioso ou umas férias.
Bom, no crowdfunding tudo se
passa de uma forma mais profissional e com um enquadramento legal bem definido,
como veremos neste artigo. Mas o princípio é semelhante e este financiamento
colaborativo também pode servir para apoiar boas causas.
Crowdfunding:
quando usar?
Existem duas formas de usar este tipo de
financiamento: sendo o beneficiário do financiamento ou entrando como
financiador.
A primeira situação é comum quando
existe uma ideia de negócio, mas não existe financiamento. O segundo ocorre
quando alguém quer investir nessa ideia ou projeto.
Lembra-se da história dos familiares e
das férias? Sim, nada impede que o crowdfunding decorra junto de um grupo de
pessoas que conhece. Pode pedir financiamento a uma rede alargada de familiares
e amigos ou pode investir num negócio de um parente.
Na verdade, até pode usar o crowdfunding
para investir em imobiliário, como pode ver neste artigo.
Mas como funciona? Fazer uma
transferência para uma conta é crowdfunding?
Na verdade, e para que seja considerado crowdfunding
e cumpra os requisitos legais, as coisas têm de ser feitas de outra
forma. Isto é, recorrendo a plataformas que, por terem enquadramento legal,
trazem segurança quer a investidores, quer a empreendedores à procura de
financiamento. E garantem que o dinheiro que circula - e que pode ser muito -
tem uma origem e um fim confiáveis.
Como funcionam as plataformas?
Imagine que tem uma ideia e sabe de
quanto dinheiro vai precisar para arrancar. Assim, vai definir um valor e o
prazo para o obter. Se no final desse período conseguir o financiamento, recebe
o valor que foi investido e paga 5% desse valor à plataforma.
Se não conseguir, também não tem nada a
perder, já que o dinheiro é devolvido aos investidores e não terá de pagar à
plataforma.
Há várias formas de obter financiamento,
mas primeiro é importante conhecer a lei.
Enquadramento legal
A primeira regulamentação do crowdfunding surgiu em 2015. A Lei n.º 102/2015 estabelece
o Regime Jurídico do Financiamento Colaborativo. Foi revista em 2018 (Lei n.º 3/2018)
definindo as penalizações a aplicar a quem não cumprir.
Assim, e de acordo com a legislação, o
financiamento colaborativo “é o tipo de financiamento de entidades ou respectivas
actividades e projectos, através do seu registo em plataformas electrónicas
online, com o objectivo de angariar parcelas de investimento provenientes de
investidores individuais”.
Ou seja, para ser considerado
crowdfunding tem mesmo de ser feito com recurso a plataformas
específicas para esse efeito. Por isso, enviar dinheiro para um IBAN não é
crowdfunding nem obedece a estas regras. Daí que seja necessário ter algum
cuidado.
A lei de 2018 define também as entidades
que fiscalizam o cumprimento da lei. Assim, a Comissão do Mercado de Valores
Mobiliários (CMVM) deve regular, supervisionar e fiscalizar as plataformas de
financiamento por capital ou por empréstimo. Deve igualmente averiguar as infracções,
instruir processos e aplicar multas e sanções caso as regras não sejam
cumpridas.
Para ter a certeza que está a investir
numa plataforma que cumpre a lei, pode consultar a lista de entidades registadas e
autorizadas. No site da CMVM encontra também um
conjunto de perguntas e respostas para perceber melhor as regras do crowdfunfing
de capital ou empréstimo.
Se o financiamento colaborativo for
feito através de donativo ou recompensa, a fiscalização, a instrução processual
e a aplicação de coimas e sanções são da responsabilidade da Autoridade de
Segurança Alimentar e Económica (ASAE).
Uma plataforma pode atuar em mais do que
uma modalidade de financiamento colaborativo, mas têm de cumprir os requisitos
específicos aplicáveis a cada uma.
Diferenças entre tipos de crowdfunding
Existem, então, quatro tipos de crowdfunding.
Para melhor perceber as diferenças e qual pode ser a mais adequada ao seu caso
(dependendo se é empreendedor, investidor e
quais são os objectivos), apresentamos, resumidamente, as características de
cada um.
Donativo
Neste caso, a entidade financiada recebe
um donativo e pode ou não dar uma contrapartida. É uma forma de, por exemplo,
apoiar causas sociais ou ajudar a resolver questões humanitárias.
Pode também servir para apoiar atletas
que, por ausência de financiamento ou de patrocínios, não têm como fazer face a
despesas para participar em provas internacionais.
Recompensa
No caso da recompensa, quem recebe o
financiamento fica obrigado a uma contrapartida. Imagine, por exemplo, que é
músico e pede financiamento para gravar um disco. A contrapartida pode ser
oferecer, aos investidores, um exemplar do disco ou bilhetes para os seus
concertos.
As entidades que gerem plataformas de
financiamento colaborativo de donativo ou com recompensa, têm de ter, para cada
projecto, o registo da identificação completa dos beneficiários e dos apoiantes
e os montantes dos apoios concedidos. O objectivo é evitar que estes
financiamentos sejam usados para branqueamento de capitais ou financiamento de
terrorismo.
Capital
Neste caso, quem recebe o financiamento
compensa os investidores com uma participação no respectivo capital social,
distribuição de dividendos ou partilha de lucros.
Este tipo de crowdfunding tem alguns limites. Um investidor singular, por
exemplo, não pode ter investimentos superiores a 10 mil euros no período de 12
meses.
Empréstimo
Nesta modalidade o financiamento é
remunerado através do pagamento de juros fixados no momento da angariação.
Como começar
Se quer receber financiamento, investir
ou apoiar causas sociais, pode recorrer a plataformas como a Go
Fund Me, PPL, Kickstarter ou Indiegogo.
No caso de plataformas de financiamento
por capital ou por empréstimo, verifique se estão registadas na CMVM e
devidamente autorizadas a exercer essa actividade.
(In “SALTO”, o Blog da Comunidade Santander)