quinta-feira, 23 de outubro de 2025

“Identidade Digital: o Fim da Liberdade


É um controlo silencioso e progressivo. Um poder invisível com vigilância através de transacções financeiras, identidade digital, apps de saúde ou mobilidade, e uso de AI para controlo.

O Reino Unido está novamente a discutir a introdução de uma Identidade Digital obrigatória. O argumento oficial é simples: modernizar, simplificar, dar eficiência ao Estado e segurança ao cidadão. Já ouvi desculpas melhores.

A história recente do país e os ecos da filosofia política lembram-nos que a promessa de eficiência pode esconder um caminho perigoso para a liberdade.

O pretexto agora é o do combate à imigração ilegal. Em vez de fiscalizar, impedir a entrada de migrantes ilegais ou deportar os existentes, o novo “digital ID” tenciona negar o acesso ao trabalho de todos os cidadão que não o tenham, incluindo os locais ou imigrantes legais.

Não é a primeira vez que Londres tenta impor um cartão ou registo de identidade digital obrigatório. Já em 2006, o governo de Tony Blair (que curiosamente é um dos lobbyistas das empresas que produzirão este digital ID) apresentou um esquema de identidade biométrica nacional. Na altura, o projecto foi duramente contestado e acabou cancelado em 2010, com argumentos de que se tratava de uma ameaça desproporcionada à privacidade e de que criava uma base de dados centralizada vulnerável a abusos.

O simples facto de regressar hoje ao debate e de se tentar fazer um bypass ao parlamento aprovando esta lei imediatamente, mostra como, em cabeças autoritárias, a tentação do controlo nunca desaparece. O governo britânico limitou-se a esperar por uma nova justificação, seja ela o terrorismo, uma pandemia ou a fraude online. A única razão é o facto de não saberem governar e terem o país a braços com uma crise social sem precedentes na história moderna.

A tradição liberal britânica sempre se distinguiu por desconfiar de papéis e controlos centralizados. John Stuart Mill, em On Liberty, lembrava que a essência da liberdade não é a ausência de regras, mas a existência de limites ao poder do Estado sobre o indivíduo. George Orwell, em 1984, deixou o retrato distópico de um mundo onde cada passo era vigiado e cada acto registado. Michel Foucault, francês, descreveu o conceito de biopolítica como a gestão da vida, da saúde, da identidade e até dos movimentos dos cidadãos por parte de um poder centralizado. O que hoje se apresenta como conveniência digital mimica perigosamente esses cenários.

Acredito que, por este caminho, estamos a viver os últimos anos de verdadeira liberdade.

A combinação de identidade digital obrigatória com moedas digitais de bancos centrais (CBDCs ou MDBC em português) não é apenas inovação tecnológica, mas a construção de um sistema de controlo transaccional total. As CBDCs não são simples comodidade ou modernização financeira, mas sim ferramentas de controlo. Através destas moedas digitais obrigatórias e do fim do dinheiro como o conhecemos é possível  vigiar e condicionar onde e como o cidadão gasta o seu dinheiro.

Este é um controlo silencioso e progressivo. Uma concentração de poder digital invisível com vigilância através de transacções financeiras, identidade digital, apps de saúde ou mobilidade, e uso de AI para monitorização e controlo.

Através de uma moeda digital programável, o Estado ou entidades supranacionais podem decidir onde, quando e em que gastamos o nosso próprio dinheiro. Como em tudo, é apenas uma questão de tempo e necessidade política.

Se for decretado digitalmente que não podemos sair de casa, o dinheiro deixa de funcionar fora dela. Se tentarmos comprar algo que não esteja autorizado, a transacção pode ser bloqueada. Deste modo, a liberdade económica, pilar de todas as outras liberdades, passa a ser um privilégio concedido condicionalmente.

Para quem acha que estou a exagerar e que tal é impossível, relembro o caso da China onde o sistema de crédito social é já hoje uma realidade e milhões de pessoas se vêem impedidas de alugar um apartamento, aceitar um trabalho ou sequer ir ao supermercado apenas por não seguirem determinadas regras estatais, serem jornalistas ou serem vozes criticas ao regime Chinês.

Este não é um exercício de imaginação. Os sistemas já estão em fase de teste em vários países. O carro eléctrico, por exemplo, hoje vendido como símbolo de sustentabilidade, pode facilmente tornar-se uma ferramenta de restrição de mobilidade. Desligado remotamente de zona para zona, obedecendo a critérios invisíveis definidos por algoritmos ou burocratas.

A identidade digital, apresentada como simplificação administrativa, pode ser usada como chave obrigatória para aceder a serviços, cruzando dados de saúde, finanças e mobilidade. Tudo em nome da eficiência. Mas eficiência para quem? Para o cidadão ou para o poder estatal que passa a controlar todos os detalhes da vida?

Esta é uma rede (grid) de controlo digital que se vai instalando peça a peça, lentamente. Passaportes de saúde, certificados de vacinação, sistemas de verificação biométrica, aplicativos bancários ou moedas digitais programáveis. Nenhum destes instrumentos, isoladamente, parece assustador, mas juntos, formam a arquitectura de uma tirania suave mas absoluta.

Um regime que não precisa de polícia na rua ou de censura explícita pois basta desligar a chave digital para impedir que o dinheiro funcione é um regime com controlo total. Basta sinalizar como cidadão de risco (e estamos a assistir a cidadãos britânicos a serem presos por posts em redes sociais) para que a vida seja progressivamente inviabilizada.

Os Portugueses, embora carentes e ansiosos por um pai que resolva problemas, não são um povo que admire este nível de controlo mas, Portugal como país que segue cegamente as directivas europeias com pouca ou nenhuma capacidade de interpretação, está igualmente em risco.

Devemos olhar para este debate britânico e para os alertas com seriedade e iniciar este debate para ontem. Não estamos imunes à pressão global. O Fórum Económico Mundial (WEF) e instituições internacionais têm defendido abertamente a criação de sistemas de identidade digital interligados, supostamente para aumentar a segurança e prevenir a fraude.

A verdade é que organismos como WEF erram no mais elementar. O povo não precisa de controlo. O povo precisa que os governos não errem na gestão da saúde, da economia, da justiça, da acção social, da educação ou da segurança.

Orwell escreveu que “a” liberdade é a liberdade de dizer que dois e dois são quatro. No futuro, a liberdade pode passar a ser simplesmente a de gastar o nosso dinheiro onde quisermos, deslocarmo-nos sem permissões digitais, existir sem que cada acto esteja sujeito a um registo biométrico central e a uma aprovação estatal.

Se deixarmos que se instale este modelo de controlo digital total, estaremos a abrir mão dessa liberdade em troca da ilusão de segurança. Como sempre, quando o poder se concentra demasiado, é muito complicado que alguma vez nos seja devolvido.

O Reino Unido já disse “não” uma vez, e corre o risco de deitar tudo a perder. Portugal tem de começar este debate hoje para que nunca venha a ser uma realidade.

Porque a verdadeira pergunta não é se precisamos de uma identidade digital para viver, mas se estamos dispostos a abdicar totalmente da liberdade em seu nome.”

Miguel Vargas - Empresário


Assine a petição contra a implementação de um ID Digital:
https://participacao.parlamento.pt/initiatives/5481

https://observador.pt/opiniao/identidade-digital-o-fim-da-liberdade/

Portugal com maior prevalência no mundo da “Doença dos Pezinhos”, segundo um estudo

 
Lisboa, 23 out 2025 (Lusa) - Portugal apresenta a maior prevalência da paramiloidose no mundo, com 2000 portadores da mutação genética responsável pela que é conhecida como a “Doença dos Pezinhos”, indica um estudo que será hoje divulgado.

A análise, que caracteriza a distribuição da doença no país, é apresentada no encontro “Paramiloidose: uma viagem ao passado, presente e futuro”, que assinala os 20 anos da morte do Professor Doutor Corino Andrade, neurologista que a identificou pela primeira vez, a decorrer em Vila do Conde.

Segundo um comunicado da Associação Portuguesa de Paramiloidose (APP), que organiza o encontro em parceria com a empresa farmacêutica AstraZeneca, o estudo Cardinal indica igualmente que cerca de 35% do total dos 2000 portadores da mutação genética ainda não apresentam sintomas. Ler mais 

Reciclar baterias pode reduzir emissões e gerar ganhos económicos, conclui estudo

 
Um estudo publicado na revista Nature revela que a reciclagem global de baterias de iões de lítio poderia cortar até 35% das emissões de carbono da cadeia de produção — e ainda representar uma oportunidade económica significativa.

As baterias de iões de lítio estão no centro da transição energética, alimentando desde automóveis elétricos a sistemas de armazenamento de energia renovável. No entanto, a sua produção continua a ter uma pegada ambiental elevada, sobretudo devido à extração dos metais necessários — como o lítio, o níquel e o cobalto.

Segundo a investigação liderada por Yufeng Wu, da Universidade de Tecnologia de Pequim, a mineração é responsável por 38,5% das emissões totais associadas à produção de uma bateria, mas representa apenas 18,8% do valor económico gerado. Em contraste, a fabricação dos cátodos, uma das fases mais lucrativas, gera 42,6% do valor económico e 34,8% das emissões. Ler mais

O ChatGPT tem os 'dias contados' no WhatsApp

 
A OpenAI lançou um comunicado onde diz que, devido a uma mudança nos termos de utilização do WhatsApp, será obrigada a remover o ChatGPT da app de mensagens da Meta.

A OpenAI anunciou que vai remover o ChatGPT do WhatsApp, apontando para uma mudança nos termos de utilização da app de mensagens da Meta de forma a justificar esta decisão. Diz a empresa de Inteligência Artificial que o ChatGPT contava com 50 milhões de utilizadores no WhatsApp.

“Adorámos ver mais de 50 milhões de vocês a conversar, criar e aprender com o ChatGPT no WhatsApp”, diz o comunicado oficial da OpenAI. “A simplicidade e familiaridade de enviar mensagens fez [do WhatsApp] um espaço natural para a criatividade e curiosidade quotidianas”.

Ainda que não seja revelada qual é a mudança específica que levou a esta decisão da OpenAI, é importante sublinhar que a Inteligência Artificial da Meta - a Meta AI - está integrada no WhatsApp. Assim sendo, é natural que a Meta faça alterações de forma a impedir que outros ‘bots’ de conversação com Inteligência Artificial estejam disponíveis nas suas apps.

“Embora fosse a nossa preferência continuar a servir-vos no WhatsApp, estamos focados em fazer esta transição tão fácil quanto possível para os nossos utilizadores”, pode ler-se no comunicado, onde é indicado que o ChatGPT deixará de estar disponível no WhatsApp a partir do dia 15 de janeiro.

 

Diário de 23-10-2025

 


Diário da República n.º 205/2025, Série I de 2025-10-23

Presidência do Conselho de Ministros

Flexibiliza regras de contratação pública, alterando a Lei n.º 30/2021, de 21 de maio, e o Código dos Contratos Públicos.

Presidência do Conselho de Ministros

Altera o Decreto-Lei n.º 55/2018, de 6 de julho, que estabelece o currículo dos ensinos básico e secundário e os princípios orientadores da avaliação das aprendizagens, com vista a reforçar o papel da educação para a cidadania na formação integral dos alunos através da valorização da componente de Cidadania e Desenvolvimento.

Presidência do Conselho de Ministros

Autoriza a alienação de imóveis do Estado e da ESTAMO, S. A., para fins habitacionais ou financiamento dos programas de habitação pública.

Presidência do Conselho de Ministros

Autoriza o Instituto de Financiamento da Agricultura e Pescas, I. P., a realizar a despesa com a aquisição dos serviços necessários à realização de ações de controlo físico e ao funcionamento do sistema de vigilância de superfícies.

Presidência do Conselho de Ministros

Autoriza a Guarda Nacional Republicana a realizar despesa e assumir os encargos orçamentais plurianuais, para os anos de 2026 e 2027, com a aquisição de um Navio de Patrulha Costeira.

Presidência do Conselho de Ministros

Autoriza a Polícia de Segurança Pública a realizar despesa e assumir os encargos orçamentais plurianuais, para os anos de 2026 a 2028, com a aquisição de serviços de manutenção e reparação de veículos multimarca da sua frota automóvel.

Presidência do Conselho de Ministros

Autoriza a Secretaria-Geral do Ministério da Administração Interna a realizar a despesa com a aquisição de computadores de secretária, computadores de elevado desempenho, computadores portáteis e periféricos, para a Guarda Nacional Republicana e a Polícia de Segurança Pública, para os anos de 2025 e 2026.

Presidência do Conselho de Ministros

Procede à exclusão do regime florestal parcial e à submissão ao mesmo regime de parcelas de terreno situadas no concelho de Miranda do Corvo.

Presidência do Conselho de Ministros - Secretaria-Geral do Governo

Retifica o Decreto-Lei n.º 98-A/2025, de 24 de agosto, que estabelece medidas de apoio e mitigação do impacto de incêndios rurais.

Negócios Estrangeiros, Finanças, Economia e Coesão Territorial, Defesa Nacional e Educação, Ciência e Inovação

Aprova as percentagens do mecanismo de correção cambial criado pelo Decreto-Lei n.º 35-B/2016, de 30 de junho, na sua redação atual, para o 2.º semestre de 2025

TAP obrigada a pagar até 300 milhões a tripulantes com contratos a prazo

 

O Tribunal Constitucional determinou que a TAP pague até 300 milhões de euros a cerca de 2.000 tripulantes de cabina com contratos a prazo desde 2006, reconhecendo-os como trabalhadores efetivos desde o início da relação laboral.

Acompanhe toda a atualidade informativa em 24noticias.sapo.pt

A TAP enfrenta um novo revés judicial e financeiro após o trânsito em julgado de uma decisão do Tribunal Constitucional que obriga a companhia aérea a pagar até 300 milhões de euros em indemnizações a cerca de 2.000 tripulantes de cabina com contratos a prazo desde 2006, avança o Diário de Notícias.

Em causa estão contratos a termo considerados ilegais, o que obriga a empresa a reconhecer os trabalhadores como efetivos desde o início da relação laboral e a pagar todos os retroativos salariais.

A decisão surge num momento sensível, já que o impacto financeiro poderá condicionar o processo de privatização da TAP, que tem entre os potenciais interessados a Lufthansa, o grupo IAG e a Air France/KLM.

O Sindicato Nacional do Pessoal de Voo da Aviação Civil (SNPVAC) estima que existam centenas de novos processos prontos a avançar e admite apenas negociar prazos e o faseamento dos pagamentos, recusando abrir mão dos valores devidos.

A decisão representa um novo desafio para a gestão da transportadora e para o Governo, que enfrenta agora um passivo laboral de larga escala.

 

Especialistas estão preocupados com manipulação da nova app da OpenAI

Especialistas em desinformação da Católica e do ISCTE, contactados pela Lusa, manifestaram-se preocupados com a capacidade da nova aplicação da OpenAI gerar vídeos hiper-realistas que manipulem a realidade através de indicações em texto.

A OpenAI, empresa responsável pela criação do ChatGPT, lançou este mês o Sora 2, uma aplicação que cria vídeos realistas com recurso a inteligência artificial (IA), a partir de descrições escritas.

Lançada no início do mês, a nova ferramenta conjuga a criação de vídeo com IA e uma rede social, que permite aos utilizadores publicar os vídeos que criam com a tecnologia e partilhá-los diretamente em plataformas concorrentes como o TikTok e Instagram. Ler mais

Polícia austríaca detém suspeito no caso do veneno para ratos em comida de bebé

A polícia do leste da Áustria deteve um homem de 39 anos relacionado com o caso de veneno para ratos encontrado em alguns frascos de comid...