Partem jovens aqueles a quem amamos.
José Carlos FREIXINHO, um dos
50 indómitos estudantes que se congregaram em torno do seu professor para que o
Congresso Mundial “Das Condições Gerais dos Contratos”, que se projectara para
a Faculdade de Direito de Coimbra, nos idos de 88, sob a égide da Comunidade
Europeia e com o alto patrocínio de Jacques Delors, se promovesse, ainda que
com a animadversão de um Orlando de Carvalho, de um Rogério Ehrardt Soares e de
um Rui de Alarcão, que se mancomunaram para que o evento abortasse,
opondo-se-lhe pessoal e institucionalmente, sem justificações plausíveis.
José Carlos Freixinho, jovem
estudante de Direito, sem qualquer experiência em seu curriculum, arvorado a
chefe de Protocolo de um evento internacional que reuniria 750 participantes de
32 distintas nacionalidades.
E que logística, que
movimentações, que extraordinário sentido de missão!
Sem quebras de qualquer
natureza, José Carlos Freixinho houve-se como um experimentado Homem das
Relações Públicas: um instinto próprio, uma invulgar capacidade de orientação e
de coordenação de uma equipa, tão jovem e tão inexperiente, que levou
soberanamente a Carta a Garcia!
José Carlos Freixinho, a quem
nos uniam laços outros, afinidades outras: nascera em Angola e viera aos tombos
aquando do ignóbil abandono colonial, que a tantos, que a centenas e centenas
de milhares impusera um exílio forçado.
Viera ainda criança, mas esses
laços forjaram-se em convívio permanente.
José Carlos Freixinho estivera
na constituição da AIDC/IACL – Associação Internacional de Direito do Consumo,
que viera a lume a 21 de Maio de 1988, como mais tarde, a 23 de Novembro de
1989, na da apDC – Associação Portuguesa de Direito do Consumo.
Concluída a formatura, ingressara
na administração hospital.
Em Portalegre, em cujo
Hospital fora colocado como administrador, uma porta aberta, como em tantas
outras circunstâncias, para que se esboçasse a edificação de uma Delegação
Regional da apDC.
Cedo pôs mãos à obra, dominado
por uma entranhada missão de serviço à Cidadania, à Comunidade.
Cedo se predispôs a prosseguir
na senda da promoção dos interesses e na protecção dos direitos dos
consumidores, que subjazia às obras a que metêramos ombros.
Contratempos oriundos do Instituto
Nacional de Defesa do Consumidor e da oposição do seu presidente, Manuel Lucas
Estêvão, que nos moveu feroz perseguição, vá-se lá saber porquê, deitaram por
terra tão nobre pretensão, tão honroso propósito.
Por duas vezes, Portalegre foi
palco de manifestações científicas promovidas pela apDC.
Não se ergueu a Delegação
mercê de obstáculos insuperáveis, manteve a disposição, permaneceu incólume a
amizade.
Soubémo-lo, mais tarde, a
caminho de Angola. Sempre – e só – a indómita vontade de servir.
Exímio no exercício das suas
funções, apegado aos seus pergaminhos, foi sempre um Homem exemplar, o José
Carlos Freixinho.
Partem cedo aqueles a quem
amamos!
Quem diria!
José Carlos Freixinho, as
homenagens neste momento doloroso a quem soube ser sempre um universitário
dedicado, companheiro incondicional, arrostando consequências enquanto
estudante por se haver associado ao projecto do Congresso Mundial, indefectível
nas suas posições, de uma dedicação ímpar às tarefas que chamava a si, exímio
na acção.
Quanta falta nos fazes, José
Carlos Freixinho!
Em todos deixas, José Carlos,
um profundo vazio!
Que o Senhor te acolha em Sua
Glória!
Que o teu imorredoiro exemplo
permaneça em quantos tiveram a suprema felicidade de contigo se cruzarem.
E nos que ora ascendem a responsabilidades,
nos domínios por onde espraiaste saber, competência e insuperável dedicação,
que no teu magno exemplo se inspirem para servirem denodadamente os que da sua
acção carecem para que os cuidados dispensados tenham a nota de profunda
humanidade que foi característica
vincante de uma vida inteiramente votada aos outros!
Requiescat in pacem!