sexta-feira, 9 de maio de 2025

Consultório Jurídico




AR CONDICIONADO AVARIADO?  E A QUEM INCUMBE DA REPARAÇÃO O FADO?

De uma consulente de Matosinhos:

“Comprei há mais de três anos (Fevereiro de 2022) um andar para habitação própria com os electrodomésticos essenciais.

O aparelho de ar condicionado avariou.

Recorri ao construtor para a necessária ‘recomposição de conformidade’, ou seja, para o mandar reparar.

Disse-me que nada tinha que ver com a garantia dos electrodomésticos e que os mandasse eu reparar porque já fora do prazo da garantia legal.

Sempre supus que uma tal responsabilidade lhe coubesse porque o apartamento foi fornecido com o ar condicionado central.

Compete-lhe ou não restituir o equipamento de ar condicionado ao seu bom estado e funcionamento?”

 Ante o exposto, cumpre ponderar:

 1.    São coisas imóveis os prédios rústicos e urbanos e suas partes integrantes, sendo que parte integrante é toda a coisa móvel ligada materialmente ao prédio com carácter de permanência (Código Civil: art.º 204).

 2.    Tratando-se de compra e venda de imóveis, no quadro de uma relação jurídica de consumo, as normas aplicáveis são as que relevam da “Compra e Venda de Consumo” (DL 84/2001: art.os 22 ss)

 3.    O vendedor responde perante o consumidor por qualquer não conformidade no lapso de:

 i) 10 anos se se tratar de  elementos construtivos estruturais;

ii) Cinco (5) anos se de elementos não estruturais se tratar. (DL 84/2021: als. a) e b) do n.º 1 do art.º 23)

 4.    Ora, na circunstância, eis-nos perante elementos construtivos não estruturais, como patentemente se infere das circunstâncias do caso, logo a garantia por lei estabelecida é de cinco (5) anos.

 5.    A exigência da consumidora é tempestiva: a garantia dos elementos não estruturais só se esgota em Fevereiro de 2027.

 6.    Logo, ou o convence – com os argumentos que decorrem da lei – que é obrigação do construtor ou do promotor imobiliário a recomposição da conformidade do bem (reparando ou substituindo o equipamento) ou, a haver resistência, não hesite e recorra ao Centro de Arbitragem de Conflitos de Consumo do Porto (tribunal de consumo) que detém geograficamente “jurisdição” sobre Matosinhos (Lei 144/2015: art.º 6.º -A).

 7.    O facto de o equipamento de ar condicionado se achar incorporado na fracção autónoma faz toda a diferença.

 

EM CONCLUSÃO

a.    Se o equipamento de ar condicionado se achar incorporado na fracção autónoma estar-se-á perante uma parte integrante do imóvel (Código Civil. N.º 3 do art.º 204)

 b.    A garantia dos imóveis difere se se tratar de elementos construtivos estruturais ou de não estruturais (DL 84/2021: n.º 1 do art.º 23)

 c.    Tratando-se de elementos construtivos não estruturais, a garantia por lei deferida é de cinco (5) anos (DL 84/2021: al. b) do n.º 1 do art.º 23).

 d.    Como a compra e venda remonta a Fevereiro de 2022, a reivindicação da garantia é tempestiva (DL 84/2021: idem).

 e.    Em caso de resistência do construtor ou promotor imobiliário, adequado o recurso ao Tribunal de Consumo do Porto cuja jurisdição se estende a Matosinhos (Lei 144/2015: art.º 6.º - A).

 Tal é, salvo melhor juízo, o nosso parecer.

 

 

Mário Frota

presidente do Instituto Luso-Brasileiro de Direito do Consumo

No #TBT de hoje, relembramos a palestra do professor Mário Frota, realizada durante a Semana do Consumidor


No #TBT de hoje, relembramos a palestra do professor Mário Frota, realizada durante a Semana do Consumidor

. O encontro trouxe reflexões sobre como a União Europeia tem realizado métodos alternativos, como a mediação e a conciliação, para resolver conflitos de consumo de forma mais ágil do que os tradicionais processos judiciais .

quinta-feira, 8 de maio de 2025

Apagão leva a alargamento do prazo para pagamento do IMI

 

Prazo da entrega das empresas da declaração de rendimentos do IRC também foi prolongada.

O Governo alargou até final de junho o prazo para pagamento do Imposto Municipal sobre Imóveis (IMI), na sequência da existência de”constrangimentos técnicos” associados ao “apagão”, de 28 de abril, que atrasaram o envio de muitas notas de cobrança pela Autoridade Tributária (AT).

“Considerando que estes constrangimentos impossibilitaram o envio atempado de um conjunto alargado de notas de cobrança do IMI, o qual se encontra a decorrer, o Governo decidiu prorrogar, para todos os contribuintes, o prazo para o pagamento da primeira prestação do IMI ou, se for o caso, da prestação única deste imposto até ao final do mês de junho”, lê-se num comunicado do Ministério das Finanças, divulgado esta quinta-feira. Ler mais

Mpox: Portugal é o sexto na Europa com mais casos registados

 
O relatório conjunto do ECDC e da delegação regional para a Europa da Organização Mundial da Saúde (OMS), com data de quarta-feira, refere que Portugal registou 1.221 casos da anteriormente denominada varíola dos macacos no referido período, atrás da Espanha (8.632), França (4.430), Alemanha (4.236), Reino Unido (4.215) e Países Baixos (1.464).

Com mais de mil casos encontra-se ainda a Itália (1.148), num grupo que inclui os 27 Estados membros da União Europeia e os restantes três países que integram o Espaço Económico Europeu (EEE), Islândia, Liechtenstein e Noruega.

Nos últimos três meses foram notificados 713 casos de mpox em 24 países e regiões e nas últimas quatro semanas foram identificados 289 casos da doença infecciosa em 18 países e regiões. Ler mais

ASAE apreende diversos produtos de lavagem, conservação e limpeza

 

A Autoridade de Segurança Alimentar e Económica fiscalizou mais de 60 operadores económicos e instaurou sete processos por infrações.

A Autoridade de Segurança Alimentar e Económica (ASAE) realizou uma operação nacional com o objetivo de verificar o cumprimento das obrigações legais relativas à rotulagem de detergentes e cumprimento, por parte dos comerciantes, de várias obrigações legais.

No âmbito da operação Purgato foram fiscalizados mais de 60 operadores económicos e instaurados sete processos de contraordenação devido a “várias infrações", entre as quais ausência de sistemas HACCP (Análise de Perigos e Pontos Críticos de Controle), falta de preços em bens e de tradução, entre outras. Ler mais

 

Empresa portuguesa de bicicletas elétricas suspeita de ser epicentro de fraude aduaneira em larga escala


 Procuradoria Europeia fez buscas em Portugal, Alemanha, Bélgica e Países Baixos. Em causa estão suspeitas de esquema de importação para evitar pagamentos de direitos antidumping.

A Procuradoria Europeia (EPPO) no Porto está a liderar uma investigação sobre suspeitas de uma fraude aduaneira em larga escala relacionada com a importação de bicicletas elétricas da China. Foram realizadas 16 buscas em escritórios e empresas em Portugal, na Bélgica, Alemanha e Países Baixos, na quarta-feira, com o objetivo de recolher provas.

De acordo com a informação divulgada esta quinta-feira pela Procuradoria-Europeia, a investigação, com o nome de código Pedelecs, revelou que, desde 2020, uma empresa portuguesa importa e-bikes de fornecedores chineses, em partes separadas, com o objetivo de contornar o pagamento de direitos antidumping aplicáveis ​​à importação de bicicletas elétricas totalmente montadas.  Ler mais

Desemprego jovem em “níveis inadmissíveis”. Estas são as soluções defendidas pelos partidos

 


Da reformulação dos programas de estágio à flexibilização dos contratos de trabalho, partidos explicam ao ECO o que sugerem para resolver o desemprego jovem em Portugal.

Inadmissível. O adjetivo foi usado pela ministra do Trabalho, Maria do Rosário Palma Ramalho, para descrever os níveis de desemprego jovem, que correspondem, neste momento, ao triplo da taxa de desemprego apurada para a generalidade do mercado de trabalho. Com eleições à porta, o ECO perguntou aos vários partidos com assento no Parlamento o que fariam para o resolver e as “soluções” propostas são bem diversas, da reformulação dos programas de estágio à flexibilização dos contratos de trabalho.

Comecemos pelo diagnóstico. De acordo com os dados de março, a taxa de desemprego jovem em Portugal está situada em 20,7%, valor inferior ao registado no mês anterior (21%) e ao verificado há um ano (23,2%), mas superior à média da Zona Euro (14,2%) e da União Europeia (14,5%). Ler mais

Barragens portuguesas em “risco” mas “preparadas”, diz ex-bastonário dos Engenheiros. Que zonas correm maior risco de cheias?

  As descargas em Espanha, conjugadas com as bacias nacionais, podem fazer o caudal dos rios transbordar e alagar zonas ribeirinhas. Saben...