“As pessoas acham que consumir edulcorantes é pior do que consumir
açúcar e isso é um mito”, garante o professor da Faculdade de Ciências
da Nutrição e Alimentação da Universidade do Porto (FCNAUP)
Vítor Hugo Teixeira.
Entrevistado pelo Polígrafo, o nutricionista indica que há “um medo generalizado dos edulcorantes”,
porque muitas pessoas acreditam que estas substâncias podem inclusive
aumentar o risco de cancro, o que na perspetiva do especialista “não
corresponde à verdade”.
Persiste também a ideia de que “os edulcorantes prejudicam a
microbiota, isto é, as bactérias que temos no intestino e que isso pode
até prejudicar o metabolismo, nomeadamente na sensibilidade à insulina”.
No entanto, Vítor Hugo Teixeira garante que isso é também um mito
e explica de onde vem a confusão: “Houve um estudo com ratinhos que
demonstrou, há meia dúzia de anos, que isso acontecia, mas era com doses
abismais, impossíveis de serem replicadas em humanos e quando
replicaram o mesmo estudo em humanos com doses passíveis de serem
consumidas nunca mais se demonstrou esse efeito.”
Há “um medo generalizado dos edulcorantes”, porque muitas
pessoas acreditam que estas substâncias podem inclusive aumentar o
risco de cancro, o que na perspetiva do especialista “não corresponde à
verdade”.
O professor da FCNAUP esclarece que “as doses de edulcorantes permitidas são doses muito seguras,
porque são baseadas em estudos onde avaliam qual é o nível destas
substâncias que pode causar problemas e dividem por cem, sendo esse o
limite máximo permitido”.
“Existe uma série de crenças de que o consumo de edulcorantes é
prejudicial à saúde e o que nós sabemos é que hoje em dia não há ninguém
que se aproxime das quantidades máximas permitidas. Portanto, ficamos
muito aquém do consumo das doses que estão demonstradas ser inseguras”,
clarifica.
O nutricionista sublinha ainda que, além de não serem prejudiciais à saúde, “de uma forma geral, os edulcorantes protegem de uma série de doenças porque substituem o açúcar”.