segunda-feira, 6 de junho de 2022

A OBSOLESCÊNCIA SOB OS VISORES DE BRUXELAS


Aparelho auditivo
: preço de venda – 5 000 €

Cinco anos depois: pena de morte decretada, que a tecnologia é finita.

Alternativa: reparação? Não! A compra de um outro…

Preço de venda (sempre a subir): 6 000 €

Para atenuar possíveis efeitos imediatos na bolsa: crédito acoplado…

 

“Obsolescência é a qualidade do que é obsolescente ou obsoleto: que está a cair em desuso, a tornar-se antiquado.”

 “Do latim obsolescentĭa, particípio presente neutro plural substantivado de obsolescĕre, «cair em desuso».”

 A obsolescência programada é, na essência, a pré-determinação do ciclo de vida de um produto. Como se, ao nascer, se inscrevesse, no Registo, a concreta data do seu passamento. Como se o produto, no momento do lançamento no mercado, se fizesse acompanhar já de uma certidão de óbito…

A obsolescência de um dado produto consiste na “desclassificação tecnológica do material industrial, motivada pela aparição de um material mais moderno”.

Sendo o resultado natural da inovação & desenvolvimento tecnológicos (com o que de intenção nisso se possa aparelhar), representa em si um enorme problema se se manifestar precocemente ou, o que é pior, se for - de caso pensado - programada.

Em qualquer das hipóteses, a desactualização (e a depreciação sob qualquer das perspectivas) dos equipamentos electrónicos, p. e., ocorre em momento temporal anterior ao expectável em vista da sua vida útil normal.

Entre a obsolescência precoce [ou prematura] e a obsolescência programada é na intencionalidade do fenómeno que se funda a diferença:

o   a obsolescência programada é determinada pelos produtores, como forma de promover o acesso dos consumidores a  novos produtos, mais elaborados, tecnologicamente mais avançados e, em princípio, com uma mais adequada “performance”;

 o   a obsolescência precoce assenta na natureza intrínseca dos materiais empregues na produção que fenecem, se esgotam, caducam num dado lapso temporal…

Noções que têm de ser entendidas cum grano salis (com “algum desconto”)…

A Lei-Quadro de Defesa do Consumidor, para valer desde 28 de Maio pretérito, reza no n.º 7 do seu artigo 9.º:

 “É vedada ao profissional a adopção de quaisquer técnicas através das quais o mesmo visa reduzir deliberadamente a duração de vida útil de um bem de consumo a fim de estimular ou aumentar a substituição de bens.”

Vale dizer: “é proibida a obsolescência prematura”.

De acordo com o European Environmental Bureau, o tempo de vida útil de um smartphone, v. g., por forma a estar em relativo equilíbrio com os ciclos naturais e humanos de reposição de recursos, deveria situar-se entre os 25 e os 232 anos.

O tempo de vida útil de um smartphone é hoje de 3 anos.

Os custos ambientais e económicos desta discrepância são gigantescos e incomportáveis.

A França desde 2015 que consagrou uma tal proibição no seu Code de la Consommation.

 E aplicou, em 2020, à Apple uma multa de 25 milhões € por obsolescência programada: os iPhones 6, 7 e SE tornaram-se mais lentos depois da actualização do sistema operacional. Como resultado, os consumidores viram-se forçados a mudar de bateria ou até de equipamento.

Os dispositivos ora em vigor no Código francês de Consumo, com as alterações decorrentes de lei de Novembro de 2021, perfilam-se como segue:

 “É proibida a prática da obsolescência programada, que se define pelo uso de técnicas, inclusive de software, pelas quais o responsável pela colocação de um produto no mercado visa deliberadamente reduzir a sua vida útil.” (art.º L441 -  2)

“É proibida qualquer técnica, incluindo software, pela qual um comerciante pretenda impossibilitar a reparação ou o recondicionamento de um dispositivo ou limitar a restauração de todas as funcionalidades de tal dispositivo fora de seus circuitos aprovados.

Considera-se a  reparabilidade do produto uma das características essenciais do bem ou serviço conforme definido nos artigos L. 111-1 a L. 111-7 deste Código.” ( art.º L441-3)

“É proibido qualquer acordo ou prática cujo objectivo seja limitar o acesso de um profissional de reparação ou reutilização a peças sobressalentes, instruções, informações técnicas ou qualquer outro instrumento, equipamento ou software que permita a reparação de produtos.” ( art.º L441-4)

“Se o fabricante projectou o dispositivo para casos de auto-reparação e forneceu as instruções de segurança adequadas para que o consumidor  realize a auto-reparação, não pode ser responsabilizado por danos ocorridos durante o processo, na medida em que esse dano esteja  ligado à inabilidade do utilizador ou ao incumprimento por parte deste das instruções para a reparação do produto.” (art.º L441-5)

A obsolescência programada alimenta o consumo excessivo, bem como a superprodução, contribui para o aumento dos resíduos, para a intensificação da poluição, bem como para o aumento do desperdício de matérias-primas e energia.

 

Esta sofisticada técnica alimenta artificialmente o crescimento.

 

Os tempos parece que mudaram: não são os produtores a dar o mote, é a política!

É aguardar para ver!

 

 Mário Frota

presidente emérito da apDC – DIREITO DO CONSUMO - Portugal

sábado, 4 de junho de 2022

Hoje é notícia: Aumento brutal nos combustíveis; Amostras tardias

 Veja aqui quais os títulos em destaque neste sábado, dia 4 de junho. 

Este sábado, dia 4 de junho, o aumento dos combustíveis a bater "máximos históricos" é destaque na imprensa nacional. Também a varíola dos macacos, cujo atraso nas amostras fez disparar casos, suspeitas de exploração laboral de refugiadas ucranianas e Marcelo a querer antecipar confronto entre Costa e Gouveia e Melo são temas nos jornais de hoje. 

Começando pelo Correio da Manhã que dá grande realce ao "Novo aumento brutal dos combustíveis" com os "preços a baterem máximos históricos". 

Já o Jornal de Notícias, dando também ênfase aos combustíveis numa chamada de capa, coloca em grande plano a "Nova lei das comunicações expõe vítimas de violência doméstica" e ainda sobre a varíola dos macacos escreve que as "Amostras tardias fizeram disparar casos em Portugal". Ler mais

 

Chamadas e SMS de 'marketing' não consentidos motivam aumento de queixas

 

A Comissão Nacional de Proteção de Dados (CNPD) tem recebido um número crescente de participações de cidadãos sobre chamadas telefónicas, emails e SMS/MMS de 'marketing', que resultaram na aprovação de uma diretriz sobre a validade do consentimento.

As participações, na sua grande maioria, dizem respeito a ações de 'marketing' direto levadas a cabo por entidades com quem os titulares dos dados pessoais não têm qualquer relação de clientela, ou em relação às quais não se recordam de ter concedido qualquer tipo de consentimento.

A CNPD, na deliberação aprovada em 25 de janeiro, especifica que as ações de 'marketing' reclamadas "são frequentemente descritas pelos titulares dos dados como intrusivas" pela frequência e insistência na sua realização, que acontece por correio eletrónico, por SMS/MMS ou por chamada telefónica, independentemente de esta ser realizada através de aparelhos de chamada automática ou através de intervenção humana, o que não releva para o regime jurídico aplicável, lembra a comissão. Ler mais

 

Quase 252 mil suspeitas de reinfeção desde o início da pandemia

 

Portugal registou quase 252 mil suspeitas de reinfeção pelo coronavírus ​​​​​​​SARS-CoV-2, que representam 5,3% dos 4,7 milhões de casos confirmados desde o início da pandemia, indica o relatório semanal sobre a evolução da covid-19.

"Entre 3 de março de 2020 e 30 de maio de 2022 foram registados 4 717 123 episódios de infeção por SARS-CoV-2. Destes, 251 758 são episódios de suspeitas de reinfeção, o que perfaz 5,3% do total de casos", avança o documento da Direção-Geral da Saúde (DGS) e do Instituto Nacional de Saúde Doutor Ricardo Jorge (INSA) hoje divulgado.

 De acordo com a autoridade de saúde, 41,3% das suspeitas de reinfeção reportadas entre 90 e 180 dias ocorreram com a linhagem BA.5 da variante ómicron, que é atualmente dominante no país, sendo responsável por cerca de 87% dos contágios. Ler mais

ABMG responde ao Mira Online sobre o caso “José Martins”

 


O sr. José Martins denunciou, ontem, através do Jornal Mira Online, a situação pela qual passou durante 25 dias em Maio, período no qual, teve a água cortada. A ABMG – Águas do Baio Mondego e Gândara enviou hoje, à redação, a sua versão dos factos e respondeu às questões que lhe foram enviadas. Pode ler abaixo, na íntegra…

“O sr. José Mendes Martins, enquanto residente na morada identificada, é devedor dos serviços prestados pela ABMG, desde janeiro de 2020, ou seja, desde que a empresa foi constituída.

Durante esse período, vários foram os avisos de dívida enviados, para além das faturas mensais, naturalmente.

Decorrente da suspensão dos cortes de abastecimento de água, por falta de pagamento, decretada pelo governo, só no início de abril deste ano foi possível retomar essa prática, que consta da lei e dos regulamentos de todas as entidades gestoras de água e saneamento. Ler mais

 

Argentinos protestam contra pegada ambiental da Coca-Cola

 

O protesto surge na sequência da sua exigência para a introdução de uma lei aplicável às embalagens que introduza um princípio de responsabilidade alargada ao produtor. 

No meio de uma montanha de garrafas vazias, trabalhadores do setor da reciclagem protestaram, na quinta-feira, em frente à sede da Coca-Cola na cidade argentina de Buenos Aires, reporta a Associated Press.

O protesto surge na sequência da sua exigência para a introdução de uma lei aplicável às embalagens que introduza um princípio de responsabilidade alargada ao produtor. 

"Somos os únicos que pomos as mãos no lixo para recuperar o que esta empresa põe no meio ambiente", referiu um dos manifestantes, durante o protesto. 

Veja, na galeria acima, algumas das imagens da manifestação em território argentino, onde as garrafas da marca de refrigerantes foram as grandes protagonistas.

Diminuição da tarifa da água em 0,11 por cento

 Uma diminuição da tarifa da água em 0,11 por cento, no novo tarifário de 2022, foi o melhor que a Câmara de Alenquer conseguiu junto da concessionária Águas de Alenquer face a valores cobrados a mais entre 2017 e 2021. 

Ouça as declarações do presidente da Câmara, Pedro Folgado.


O Museu de Vila Franca de Xira e o Museu do Neo- Realismo também em Vila Franca de Xira foram premiados pela Associação Portuguesa de Museologia

A praga dos panfletos de compra de automóveis: o que fazer

  Todos nós já passámos pela enorme frustração de chegar ao nosso veículo e encontrar um pequeno pedaço de papel irritante preso na escova d...