À
Entidade Reguladora das
Comunicações foram presentes, via livros em suporte papel e digital, algo
da ordem de 106 500 reclamações dirigidas contra empresas de comunicações
(electrónicas e serviços postais): número superior ao de
2024.
O comunicado do Regulador,
importa dizê-lo, omite dados e é pouco esclarecedor nalgumas das suas
passagens.
Poderia ser mais sintético
(menos palavroso e mais elucidativo sobre certos pontos nele abordados).
Poderia ser mais esquemático
para a percepção das diferenças. Quando começa a ‘romancear’... perde-se!
As comunicações eletrónicas
foram o segmento que mais contribuiu para a evolução dos números e percentagens,
com um crescimento da ordem dos 3%, perfazendo 60% do total das reclamações;
aos serviços postais, que registaram ligeira redução face ao ano anterior, coube a percentagem remanescente: 40% do
volume global.
A VODAFONE mantém o
“ceptro”: reúne o maior número absoluto de reclamações, com 33% do total (cerca
de 21 300). Entre os três principais prestadores, continua a apresentar a taxa
de reclamação mais elevada, com 7,7/1.000 clientes
A MEO regista o maior
crescimento face a 2024 (+11%): 18 100 reclamações (28% do total). Apesar do
aumento, mantém a menor taxa de reclamação entre os três principais
prestadores, com 4/1.000 clientes.
A NOS é a única empresa
com uma redução no volume de reclamações (-21%): é de igual modo a menos
reclamada em termos absolutos de entre as três maiores: 18 000 (28% do total) com
uma taxa de 6,2/1.000.
A DIGI/NOWO - com 6 500
reclamações registadas em 2025 - reúne 10% das reclamações do sector: taxa de
18,7/1.000 clientes.
E estoutro registo que destoa
do padrão seguido:
A DIGI representa 8%
das reclamações [1.200 registadas no 3.º trimestre de 2025] e uma taxa que vem
diminuindo desde a entrada no mercado [de 7,6 (4.º trimestre de 2024) para 5,2/1.000
clientes no período em exame].
De entre as causas das
reclamações, a da facturação de serviços é a que maiores índices
apresenta, sendo que a segunda é a da morosidade na reparação das
deficiências, das avarias, que é a que mais cresce.
E aí - na deficiente
facturação - o que nos mostra o podium?
VODAFONE - 39% (das 16 400
reclamações registadas).
(O comunicado não revela os
lugares seguintes).
Na segunda das causas -
deficiências, falhas na reparação dos serviços - como se posicionam os
concorrentes?
MEO, em
1.º lugar, com 30% (das 12 700 reclamações deduzidas).
E sobre assistência
técnica:
MEO, em
1.º lugar, com 33% (das 11 900 reclamações apresentadas).
Na terceira das causas -
operação de contratação dos serviços:
VODAFONE, em
1.º lugar, com 38% (das12 600 reclamações).
Na quarta das causas - cancelamento
dos serviços:
NOS, em
1.º lugar, com 37% (num universo de 11 800 reclamações).
Registe-se que em 2025 há um
assinalável acréscimo das causas de reclamação associadas a deficiências nos serviços; 5
pontos percentuais a mais com o retardamento nas reparações ou com deficientes
reparações.
Seguem-se os aumentos com a demora
ou ligação inicial deficiente dos serviços fixos e bem assim com falhas no acesso à
Internet fixa, na televisão por subscrição e no serviço
telefónico móvel: cada um deles com mais 2 pontos percentuais que em 2024.
De significar que estes
números e percentagens não são os globais, mas os que registados ficaram nas
versões física e virtual do livro de reclamações: neles não se conta nem as
reclamações verbais nos pontos de venda nem as que são autonomamente veiculadas
quer por correio electrónico, quer por correio postal quer por telefone. Sem
considerar ainda as cifras negras que constituem, afinal, o resultado dos que -
com razão para reclamar - mostram de Conrado o (im)prudente silêncio... para
não estarem para se incomodar!
Reclamar é direito, reclamar é
dever! Reclamar é concorrer para a qualidade e eficiência de produtos e
serviços.
Qualidade e eficiência são
função da exigência dos consumidores!
Mário Frota
presidente emérito da apDC
- DIREITO DO CONSUMO - Portugal